terça-feira, 8 de maio de 2012

Love will tear us apart tocou no rádio quando ele saltou do ônibus

Sou da opinião de que as coisas acontecem, sem mais ou menos. Que quando está travado, sem graxa, empenado... é porque não é pra ser. Não acredito em divindades, santos ou seres sobrenaturais. Nisso eu acredito: sincronicidade e timing.

Andei misontropa, mas hoje bati um papo leve com um menino bonito e foi bom. Qualquer outro momento eu teria enroscado no inglês, tropeçado nas cortesias, corado e me escondido por trás dos meus cabelos, odiando ser menina, odiando meu corpo, meu rosto, meus dedos, minhas orelhas e meus cabelos desgrenhados. Hoje não. Hoje teve sincronicidade e hoje teve timing.

Vou tomar um chá com ele dia desses. E quem sabe nesse dia também não role sincronicidade e timing?

terça-feira, 1 de maio de 2012

Quando eu era neném, sempre chorava diante do prospecto de banho.

Sempre chorava quando queriam me tirar do banho, também.

Acho que isso é maior do que qualquer outra declaração sobre mim, e verdade seja dita.

o barato aqui é o casillero del diablo, sempre

sempre tive um timing muito ruim, no grand scheme of things.

o que me mata daqui número 4

velhos concurdas de sobretudo e boina e tênis

senhorinhas de bengala e cenho franzido e sacolas sacolas sacolas.

gente que já azedou e cujos corpos já desistiram. mas que continuam andando, de boca aberta e com baba escorrendo.

epifania

o que me falta de fibra moral me sobra de impunidade.

não apanhei o suficiente da vida - ainda.

e devo dizer que você é uma formosura, menina

o primeiro stalker a gente nunca esquece.


(respondi embevecida e com promessas de uma mesa de bar, num futuro incerto)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Sobre o formigar e o dormir da perna esquerda

Com uma taça de vinho na mão e palavras soltas é que sou contente.

(contente é uma palavra de que gosto muito)

E além do que, o que não sei enche livros, bibliotecas inteiras queimadas e carimbadas e canonizadas. Sei que na minha cabeça é só lama pegajosa e areia movediça e correntes de ar que vem não sei de qual janela.

Perdi meu taco, mas nunca soube mesmo jogar sinuca. O vinho, de novo, me deixa com aquelas borboletas e aquela vontade louca de porra, cumprir, realizar. Só que o problema que urge é que descentralizei. Estou borrada e turva, mas não menos eu, nunca menos eu. Isso é impossível.

E gosto de ser sozinha, mas estou sempre atrás daquele abraço. E a ideia de ser adulta me apraz, assim como a ideia de saber, saber, saber.

Deito felpuda e acordo agastada, friccionada e culpada.

Sempre em dúvida.

Who did he say you were?

Eu quero partir do estranhamento. De tudo que me é estranho, de tudo que me confunde e me faz duvidar e não-saber e, mais do que tudo, quero partir daquele canto dentro de mim que se surpreende.

E que me entende.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

(e tudo o que eu quero é permanecer curiosa)

amalgamar

E sei que não sou tão jovem, digo. Mas jovem o suficiente pra saber que vou me arrepender de muita coisa ainda.

Subir na bicicleta metafórica.

Não cumpri, não cumpri, não cumpri. Talvez porque estava sentindo que fracassava, talvez porque estive num embróglio de ennui, envolta em um marshmellow de insegurança e letargia.

Antes tarde do que nunca.

Que tal?

e quem sabe?

Eu só sou confusa e ponto. É que não entendo nada mesmo. Fico mesmo no incerto e nos não-seis.